sábado, 21 de agosto de 2010

''A Cidade Global'', por Milton Santos



''A processo atual de modernização leva a que todos os lugares se globalizem graças à difusão generalizada das técnicas e da informação. Criam-se, assim, lugares globais simples e lugares globais complexos. Estes são, geralmente, as metrópoles, em que um grande número de variáveis típicas de nossa época se combina.
Mas as metrópoles se caracterizam não apenas por esse lado moderno da sua realidade atual, mas também pelo fato de que guardam numerosos aspectos herdados de épocas anteriores, em virtude da resistência da paisagem metropolitana às mudanças gerais. É um equívoco considerar as metrópoles como se fossem inteiramente modernizadas e globalizadas. Aliás, o seu cosmopolitismo apenas é garantido pelo fato de que esses lugares complexos contém elementos com diversas origens e idades que lhes asseguram [...] possibilidade de abrigar os mais diversos tipos de capital, trabalho e cultura.
Uma classificação rigorosa levará a incluir entre as metrópoles globais apenas algumas poucas:
New York, Los Angeles, Tóquio, London, Paris, [...], capazes de exercer um papel de comando efetivo [...] sobre o que se faz nas outras cidades e no resto do mundo. Pode-se incluir também neste rol, ainda que num segundo nível, localidades como São Paulo, Porto Alegre, Ciudad del México, Johannesburg, cujo papel reitor apenas se impõe a áreas menores e mais delimitadas do planeta.
Desse modo, pode-se considerar que as cidades globais são aquelas que dispõe dos instrumentos de comando da economia e sociedade em escala mundial [...]. Mas o exercício da ação hegemônica sobre a face da Terra não é um dado exclusivo das metrópoles de primeira ordem: sem as outras cidades a economia global não se realizaria.''

Milton Santos. ''A Cidade Global''. Folha de S. Paulo, 13 de abr de 1997.

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